Quem trabalha com transporte já ouviu falar de eletrificação, veículos autônomos e agora também de hidrogênio verde. Mas quando o assunto chega à operação real, a pergunta costuma ser outra:
"Isso vai funcionar para caminhão?"
A resposta curta é: provavelmente sim. A longa é um pouco mais interessante.
Nos últimos anos, os veículos elétricos ganharam espaço no transporte urbano e em operações de curta distância. O problema é que a realidade de uma carreta rodando centenas de quilômetros por dia é diferente da de um carro de passeio.
Autonomia, tempo de recarga e peso das baterias ainda são obstáculos importantes quando falamos de transporte rodoviário pesado.
É justamente nesse cenário que o hidrogênio verde começou a chamar atenção.
Na prática, ele funciona como uma forma de armazenar energia limpa. Quando produzido a partir de fontes renováveis, como energia solar, eólica ou hidrelétrica, seu uso praticamente elimina as emissões de carbono durante a operação do veículo.
A grande vantagem é que o abastecimento tende a ser mais rápido do que uma recarga elétrica tradicional, além de permitir autonomias mais compatíveis com as exigências do transporte de longa distância.
Mas vale a pena acompanhar isso agora?
Na nossa visão, sim.
Não porque sua empresa vá trocar toda a frota por caminhões movidos a hidrogênio nos próximos dois anos. Isso não vai acontecer.
O motivo é outro: as empresas que entendem as transformações antes dos concorrentes normalmente se adaptam melhor quando elas finalmente chegam.
O Brasil, inclusive, possui uma posição privilegiada nessa discussão.
Temos uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, forte capacidade de geração renovável e diversos projetos relacionados ao hidrogênio verde saindo do papel. Universidades, centros de pesquisa, indústrias e grandes empresas já estão investindo para entender como essa tecnologia poderá ser utilizada em larga escala.
Ainda existem desafios.
O custo de produção continua elevado, a infraestrutura de abastecimento praticamente não existe e a tecnologia ainda precisa ganhar escala. Mas a história mostra que isso não é necessariamente um impeditivo.
Há pouco mais de uma década, a energia solar era vista como algo distante para a maioria das empresas brasileiras. Hoje, ela está presente em residências, fazendas, galpões logísticos e indústrias de todos os portes.
O hidrogênio pode seguir um caminho semelhante.
Enquanto essa transformação acontece, existe uma preparação que já pode começar agora: a gestão eficiente da operação.
Independentemente do combustível utilizado no futuro, empresas que conhecem seus indicadores terão vantagem. Saber exatamente quanto cada veículo consome, quais rotas são mais eficientes, quais motoristas apresentam melhor desempenho e onde estão os maiores desperdícios continuará sendo fundamental.
No fim das contas, a transição energética não será apenas sobre trocar um combustível por outro.
Será sobre usar dados para operar melhor.
E essa parte já começou faz tempo.
Na WebRota, acompanhamos de perto as mudanças que estão moldando o futuro do transporte. Afinal, a tecnologia que será tendência amanhã costuma começar como assunto de nicho hoje.
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